16:37h: Do primeiro andar do prédio vejo as janelas que se espalham organizadamente. Estão, algumas delas, pouco abertas, de modo que umas nesgas das casas podem ser vistas. Na quinta janela, de cima para baixo, um homem observa a rua, mãos repousando sobre o parapeito. Imagino que ele anota mentalmente certos elementos que se repetem na calçada, como num inventário vespertino.
08:13h: A mulher se aproxima da janela escancarada, seu corpo vai se tornando mais nítido à medida que caminha em direção à luz da manhã. Seu vestido estampado toca de leve a cortina que insiste em cobrir um pouco a cena. O tecido que traz nas mãos por pouco não cai enquanto ela o balança com força para fora da janela. A poeira que sai do pano forma uma nuvem que se dissipa lentamente enquanto a mulher se recolhe, de volta à penumbra de onde havia saído.
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